terça-feira, 25 de outubro de 2011

Que a vida continue assim


Causando-me espanto, medo, surpresa e prazer.

Que meu coração continue pulsando descontrolado dentro de mim, porque nunca foi minha pretensão sentir calada.

Que o injusto continue me indignando, e que a indignação continue me movendo em busca daquilo que acredito ser certo.

Que o meu olhar se mantenha aceso.

Que eu continue tendo efêmeras vontades de desistir, porque sou humana, mas que a fé me mova sempre até o fim.

Que o caminho árduo nunca me faça ser tentada pelos falsos atalhos.

Que o pó não se acumule nem na estante, nem no corpo e nem na alma.

Que, de um jeito ou de outro, a gente consiga viajar: no mapa, nos livros, nos sonhos ou no amor, que é o maior de todos os sonhos.

Que o acaso e o destino jamais se confundam, e que a gente continue com o dom bonito de acreditar que nossa história está escrita em algum canto do céu, nas estrelas.

Que sonhar não se torne, em hipótese alguma, tolice. E o melhor: que nenhum sonho jamais seja proibido.

Que os planos saiam do papel e nos surpreendam por serem ainda mais bonitos do que pareciam ser quando ocupavam espaço apenas dentro de nós.

Que a falta de tempo nunca nos impeça de embrulhar os presentes com papel celofane ou fita de cetim, e muito menos de escrever um cartão.

Que os papeis de carta saiam da gaveta e ganhem letras, redondas ou tortas, que façam sentido quando combinadas com o coração.

Que o rosto da pessoa amada se torne miragem, não pela beleza do seu contorno, mas pelo quão verdadeiro é aquilo que a preenche.

Que o encontro nunca deixe de ser a opção mais viável.

Que o maior confronto nunca deixe de ser o olho no olho.

Que o amor seja finalmente eleito como o caminho mais curto para a real felicidade.

Que fazer pedido a uma estrela não seja rotulado como algo cafona.

Que a gente goste daquilo que vê no espelho, e que não nos permitamos, em momento algum, tornarmo-nos escravos daquilo que gostaríamos de ver nesse espelho.

Que os dias cinzentos sejam transformados em primavera.

Que os risos, cada vez mais sinceros e espontâneos, sejam em alto e bom som, sem a menor timidez ou pudor. Aliás, que todo o pudor seja esquecido quando, em questão, estiver o amor verdadeiro.

Que a gente caiba milimetricamente em um abraço, e que esse abraço nos sirva de esconderijo quando o que está lá fora parecer perigoso demais.

Que olhar pra trás jamais nos envergonhe.

Que o amor de cinema continue sendo, no fundo, o sonho de cada um.
Que declarações sejam feitas sem rodeios.

Que as verdades sejam ditas.

E que a vida esteja cada vez mais perto da poesia, até que vida e poesia sejam, por fim, inseparáveis.


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